
Quando nas madrugadas falo, adormeço aparentemente no sereno das palavras que à lua dito em segredo! Absurdas sem sentido! Mas ainda assim projectando-me em espelho embaciado.
Vi a lua!
Vi-a empalidecer perdendo-se na luz....Errei ao pensar que viria finalmente a meu encontro. Engano meu (Mais uma vez!)
Reflicto a minha imagem no espelho! Envelheço de imediato nas lembranças que me retiram friamente a juventude,
E a tez de meu rosto, em segundos, perde o tom rosado ao recordar cada imagem...
Empurram-me para um canto , perpétuamente secreto!
Guardo tudo em gavetas entreabertas.
Revejo e arrasto passos onde lentamente crescem raízes tão profundas que não se arrancam.
Coloco-me de lado e arrumo algumas das sílabas e algumas das sombras de rigorosas palavras que nunca disse.
- Corpo enfermo de asa partida pousada na calcinada ainda húmida, sopra em cima das dolorosas escondidas debaixo de tinta... Escuta apenas o som do teu isqueiro e o pousar da tua chávena!
Repousa...Um repouso modesto encolhido no medo sem culpa! E um obediente sofrimento de olhos que de qualquer alegria duvidam naquele silêncio que conheço ou naquele dizer trémulo das palavras indefesas.
Impacientam-me as migalhas! Impacientam-me as vozes que vêem apenas de visita despropositadas!
- Acordei do sonho por breves momentos! (Gritei!) Desejei beber o mar apenas num verso...
Sinto-me suja como um objecto derrubado, despegado e desarrumado pelas ondas fora do lugar onde pertenciam,
Com o peso do meu corpo deslocado apenas para um dos lados. O sangue sobre a metade mais gasta, esmagando arrebatadoramente o sentido da invenção daquela alma!
(-Não digas nada a ninguém, o tempo agora é de poucas conversas e de ainda menos sentido... Pensa apenas que sou menina mulher que não possui sentimentos por definição! Que sou lebre esfomeada pela galopante viagem de pulsares efémeros de paixões adolescentes negando-lhe o lugar no firmamento, mas mesmo assim desejado!)
O sino, entre as quatro paredes tocou.
- Acorda, são horas de te levantares menina!
DIANA VELOSO