Os dias tornam mais funda a nossa sede,
Austero é o fogo destes dois rostos que se procuram na mais febril aproximação real…
Queria poder dizer milhares de vezes todas as palavras que pudessem expressar o que sinto.
Nunca as digo!... Nunca as faço!... Fico sempre à espera….
Atendo meramente ao pronunciar das palavras nos fragmentos da minha escrita…
Secretamente rezo...
Rezo para que me leias, me entendas, me abraces. Me invadas.
Escrever num grito mudo de amor?
COBARDE!... Cobarde menina mulher!… Cobarde menina do sonho!...
Cobarde porque, tenho medo da intensidade do laço que me une...
Cobarde porque considero que um dia esquecerás a queimadura dos gestos,
A pressão invisível das minhas mãos sobre teu dorso,
As cúmplices noites de fraternidade amante!...
"Apetece chorar de tanta saudade’’... A alma descontrola-se!...
O receio de começar a usar a cor da utopia que esteja a criar,
Não consigo abstrair! Não consigo enganar! Não consigo explicar!
O receio habita que o sonho não passe de uma hipérbole na qual quero acreditar!
Que na realidade, o sentimento não passe de rascunho...
Hoje a minha escrita queima...
Hoje fragmentos juntam-se... ´
Hoje?... Fragmentos são impossíveis de concluir!
São sementes que crescem a cada conversa para comigo!
São instintos que me mantêm viva...
O desejo da pele... Ganância de poder-te amar!
Não confundo, desejo!...
Não quero gritar, gemo!...
Não quero ir, entrego-me!...
Quero estar aqui, quando chegares!...
(P.S.: Não conclui, porque não o devo fazer... Sou incapaz de o fazer!... Este ‘’fragmentos da minha escrita’’ são pedaços de mim que não concluem, são sentimentos em aberto, são feridas rachadas a sangrar... são frases que estão por dizer!... São uma escrita que quero continuar!...)
DIANA VELOSO
